PALAVRA DA PRESIDENTE

Este é um ano de enormes desafios para todos nós que trabalhamos na construção de um sistema de saúde mais equânime e universal. O SUS é a base de sustentação da reposta brasileira ao HIV/aids, às hepatites virais e outras a doenças de transmissão sexual. Tem como diretriz assegurar a sustentabilidade programática em toda a extensão do sistema, sobretudo no campo da assistência integral, da promoção da saúde, dos direitos humanos e da prevenção ao HIV e às hepatites virais.

Prevenção Combinada: multiplicando escolhas é o tema do 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais. A estratégia Prevenção Combinada institucionaliza uma prática que já realizamos há mais de 20 anos; em 1996, assumimos a responsabilidade de assegurar o acesso universal ao tratamento a todas as pessoas que vivem com HIV/aids, defendendo que prevenção e assistência são campos indissociáveis na prática de saúde pública. A despeito das inúmeras resistências a essa posição, estávamos no caminho certo e conseguimos vencer os obstáculos. Se não tivéssemos assumido essa postura no passado, certamente as barreiras para implantar a Prevenção Combinada no presente seriam muito mais difíceis de transpor.

A Prevenção Combinada deve se ater a duas premissas básicas: o direito de escolha e a autonomia das pessoas; e o direito ao acesso aos bens e serviços de saúde que, na perspectiva do sistema de saúde, devem estar disponíveis em toda a rede de atenção, garantindo a integralidade, a equidade e o pleno direito à saúde.

Aqui, teremos a oportunidade de avaliar a resposta, de dimensionar os interesses e objetos de pesquisa e de observar detalhadamente os movimentos e as práticas que estão em curso, sobretudo os esforços realizados pelos estados e municípios, bem como as experiências de base comunitária, conferindo simetria ao momento atual da resposta brasileira a esses agravos e estabelecendo consensos em relação às estratégias mundialmente definidas. A resposta brasileira ao HIV/aids, às infecções sexualmente transmissíveis (IST) e às hepatites virais tem o compromisso histórico de retomar sua soberania sobre as práticas e inovações no âmbito do SUS.

Assim, podemos perceber que muitas das estratégias consolidadas no enfrentamento ao HIV também se mostram efetivas para o combate às hepatites B e C. Avançamos na ampliação do potencial da resposta, mas ainda há lacunas a serem superadas – entre as quais a necessidade de focalização das ações de prevenção para as hepatites. Há que se olhar para a situação das hepatites B e C nas populações-chave e na estrutura dos serviços disponíveis, de modo a coordenar o cuidado nos diversos níveis de atenção.

Ousar nas estratégias de prevenção para o HIV e para as hepatites virais: é isso o que queremos deste congresso. Esperamos que as discussões e produções técnico-científicas possam iluminar o campo de prática e as intervenções sob a perspectiva da Prevenção Combinada.

O evento é um espaço privilegiado de troca entre pesquisadores, gestores, profissionais do setor saúde, estudantes e movimentos sociais e, portanto, de construção de respostas no campo das políticas públicas de saúde voltadas para o enfrentamento do HIV/aids, das hepatites virais e das IST.
Espero que possamos, juntos, pensar e agir em prol de uma sociedade mais justa e mais solidária. A todos, desejo que os debates e reflexões promovidos durante o evento sirvam como mais um momento de construção do SUS.

Adele Schwartz Benzaken