PrEP e PEP são temas de conferência de Prevenção Combinada

PrEP e PEP são temas de conferência de Prevenção Combinada

PrEP e PEP são temas de conferência de Prevenção Combinada
Ações de Nova York foram apresentadas durante o encontro

O coordenador adjunto de Prevenção e Controle de HIV/Aids do Departamento de Saúde e Higiene Mental de Nova York, Demetre Daskalakis, apresentou na última quinta-feira (29/09) – durante o 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais –, o plano da cidade norte-americana para tratamento diferenciado às pessoas com HIV. A apresentação foi realizada durante a conferência “Prevenção Combinada: Multiplicando Escolhas”, com o tema “PrEP na prevenção combinada: perspectivas globais de questões práticas no mundo real”. Também participaram da conferência Maria Clara Gianna, do Programa Estadual DST/Aids de São Paulo, e a diretora do Departamento de Prevenção, Vigilância e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde, Adele Benzaken.

No plano desenvolvido em Nova York, o destaque é para as ações referentes ao uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a melhoria no serviço da Profilaxia Pós-Exposição (PEP). A campanha de PrEP/PEP foi dividida em três etapas: de outubro de 2014 a janeiro de 2015; de fevereiro a abril de 2015; e de julho a setembro de 2016. Os trabalhos envolveram visitas de cinco representantes treinados às clínicas da cidade; escolha de locais para abordagem com base em dados da aids; e registro de diagnóstico da doença em ao menos uma pessoa entre 2012 e 2014. “Chegamos à conclusão de que a PrEP não poderia ficar nos estudos: ela teria de ir para a rua”, afirmou Demetre.

O primeiro passo foi promover a PrEP – pois até 2014 havia pouco conhecimento e uso ínfimo dessa forma de prevenção. Em pesquisa realizada em 2015, o departamento da cidade norte-americana constatou que a maioria das pessoas infectadas era composta por homens negros, latinos, com idade entre 20 e 29 anos e que faziam sexo com outros homens (HSH).

Em um primeiro momento, foram distribuídos 150 mil kits de prevenção – com preservativos – para áreas com maior concentração da população com maiores índices da doença. Depois, foram realizados treinamentos aos profissionais de saúde. “Precisávamos convencê-los a prescrever a PrEP nas clínicas da rede pública”, disse.

IMPULSO – Segundo Daskalakis, com o intuito de atingir a meta 90-90-90 da Organização Mundial da Saúde (OMS), o impulso do uso da PrEP, principalmente nas clínicas sexuais de áreas periféricas de Nova York, resultou no seguinte quadro: dos infectados, 94% estão diagnosticados com o HIV; 82% fazem uso do medicamento antirretroviral; e 74% têm carga viral indetectável.

Daskalakis finalizou a apresentação elogiando a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS). “O sistema norte-americano de saúde é fracionado, ao passo que o de vocês é único – e atende a várias necessidades de uma só vez”, afirmou.

DESAFIO – Ainda na mesma conferência, a diretora do DIAHV, Adele Benzaken, durante a participação em “Prevenção Combinada: um novo olhar para a epidemia”, apresentou o panorama do HIV no Brasil. Ao falar sobre o projeto de implementação da PrEP no país, previsto para se iniciar em dezembro de 2017 – especificamente para a população trans, de HSH e gays, casais sorodiscordantes e trabalhadores do sexo –, a diretora destacou o pioneirismo do Brasil ao focar determinados públicos. “É a primeira vez, por exemplo, que um país diferencia a população trans da de gays e de outros HSH”, disse. “Implantar a Prevenção Combinada não é tarefa fácil, mas é este o desafio que nos estimula a atuar com as populações com maiores taxas do HIV”, completou.

publicado em
29/09/2017 - 10:13